15 de agosto de 2010

Principais Técnicas de Coloração para Lâminas Hematológicas

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 Hermann I A Salzer
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INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo principal mostrar as principais técnicas de coloração, em laboratório, para lâminas hematológicas, visando o estudo histológico dos constituintes celulares do sangue.
Para que isso ocorra, são necessários que haja o conhecimento de diversos métodos e tratamentos existentes e a definição de cada um deles antes de preparar as lâminas para observação no microscópio.

1 - Preparo das Lâminas

Em primeiro lugar, será descrito o método mais comumente usado em histologia, que permite a obtenção de preparados histológicos permanentes (lâminas) para estudo ao microscópio óptico. Nesse instrumento, os objetos são examinados por transparência, e como órgãos muitos delgados são raros, a maioria precisa ser reduzida a cortes finos, suficientemente transparentes para serem examinados ao microscópio. Estes cortes são feitos com um instrumento denominado micrótomo.
Obviamente, o que se deseja é levar ao microscópio um preparado no qual os tecidos estejam perfeitamente preservados, apresentando a mesma estrutura e composição química que possuíam quando vivos.
Mas, apesar dos cuidados tomados, esse ideal não é alcançado, observando-se em todos os preparados histológicos certos artefatos consequentes ao processamento que sofreram.
Para vencer esta limitação, são empregados corantes, que coram os componentes celulares com certa especificidade. No entanto, como a maioria dos corantes é tóxica, as células vivas não conseguem resistir a eles.
Por este motivo, antes de serem corados, os tecidos são: 1) fixados, isto é, mortos através de procedimentos que produzem a menor distorção possível da célula e da matriz extracelular; 2) incluídos em materiais dotados de certa consistência; e 3) cortados em fatias muito delgadas, capazes de serem atravessadas pela luz.
A maioria das preparações histológicas que o estudante observa com o microscópio óptico corresponde a tecidos fixados com formol a 10% incluídos em parafina, cortados em fatias muito finas e corados com hematoxilina e eosina.

2 - Fixação

A fim de evitar a destruição das células por suas próprias enzimas (autólise), ou por bactérias, os tecidos removidos do corpo de um animal devem ser adequadamente tratados imediatamente após a sua retirada. Esse tratamento é denominado fixação. A principal função dos fixadores é insolubilizar as proteínas dos tecidos.
Essa insolubilização é essencial na fixação, pois as proteínas são as principais responsáveis pela estrutura das células e dos tecidos. Um dos melhores fixadores para trabalhos de rotina com o microscópio óptico é o formaldeído a 4% em solução tamponada (pH 7,5 aproximadamente).

3 - Inclusão

Para que o material possa ser cortado em fatias muito delgadas, deve ser incluído num material que lhe confira certa consistência. Se o tecido vier a ser corado com métodos convencionais (por exemplo, com hematoxilina e eosina), pode-se incluí-lo em parafina, que é sólida à temperatura ambiente, porém se funde entre 50 e 60 ºC.
Como a parafina é insolúvel em água, o tecido deve ser desidratado previamente, através de sua submersão, em banhos de etanol, de graduações crescentes.
Sendo a parafina também insolúvel em álcool, costuma-se empregar o xilol entre a desidratação e a inclusão.
Por último, a peça é submersa em um pequeno ambiente cúbico com parafina líquida - fundida a cerca de 55 ºC - que, ao esfriar, converte-se em um bloco sólido com o tecido incluído em seu interior.

4 - Corte do material

O micrótomo corta o bloco e permite obter cortes de 2 a 5 mm de espessura, suficientemente delgados para que a luz possa atravessá-los.
Cada corte é montado sobre uma lâmina e despojado de parafina mediante banhos de xilol. Como os corantes empregados são hidrossolúveis, o xilol deve ser eliminado mediante banhos de etanol de graduações decrescentes, terminando com um banho de água pura.

5 - Coloração

A maioria dos tecidos é incolor, o que torna difícil sua observação ao microscópio óptico. Devido a isso, foram introduzidos métodos para a coloração dos tecidos, de modo a tornar seus componentes visíveis e destacados uns dos outros.
A maioria dos corantes usados em histologia comporta-se como ácidos ou bases e tendem a formar ligações salinas com radicais ionizáveis presentes nos tecidos.
Os componentes dos tecidos que se coram com corantes básicos são chamados basófilos, sendo chamados de acidófilos os que se ligam a corantes ácidos.
O azul-de-toluidina e o azul-de-metileno são exemplos de corantes básicos.
A hematoxilina comporta-se como um corante básico, ligando-se às estruturas basófilas dos tecidos. Os núcleos celulares, por serem ricos em DNA, coram-se pelos corantes básicos. Os corantes ácidos, tais como o orange G, a eosina e a fucsina ácida, coram principalmente as proteínas citoplasmáticas.
A hematoxilina cora em azul os núcleos celulares e outras estruturas de natureza ácida (basófilas), como as regiões do citoplasma ricas em RNA. Em contraste, a eosina cora o citoplasma e o colágeno do material extracelular em diversas tonalidades do vermelho.

CONCLUSÃO

Embora se tenha o máximo de cuidado para a realização do preparo das lâminas para observação ao microscópio, de nada adiantará a observação, pois alguns componentes celulares são transparentes e, para enxergá-los, é necessária a aplicação de certos tipos de corantes para ampliar a nitidez dos componentes a serem pesquisados.

REFERÊNCIAS

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, José. Histologia Básica. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
DI FIORE, Mariano S.H. et al. Histologia: texto e atlas. s. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

4 comentários:

Muvicio disse...

cara vale pelo blog ajudomuito no meu trabalho de 7 serie paresendo de 2 graw mais ta mo ai vlw kara

Anônimo disse...

me ajudou muito, espero passar na prova!

Hermann Salzer disse...

Obrigado pelo elogio, anônimo. Torço por você.

Ah, quanto aos trabalhos, Muvicio, todos eles são, por enquanto, de minha autoria. Fiz este blog no momento que entrei no Ensino Superior (ou como dizem, 3º grau) em 2009.

Ainda não encontrei ninguém de nenhuma faculdade da minha região disposto a divulgar os próprios trabalhos por aqui. Mas vejam o lado bom.

Fiz o que o Scielo e os outros sites científicos ainda não fizeram, que foi simplificar as ferramentas de busca de modo que demorasse menos procurando informações preciosas.

Hermann Salzer disse...

OBS: por enquanto, só existem informações científicas da área da Saúde.
No futuro, colocarei trabalhos científicos e acadêmicos de outras áreas.